O que são dividendos?
Guilherme Carneiro
Investidor
Bazin tinha uma frase que resume tudo: "A remuneração do acionista são os dividendos." Para ele, valorização de preço era imprevisível — dividendos eram concretos, tangíveis, previsíveis. Era nisso que valia a pena focar.
O fruto da árvore
Pense numa laranjeira. Você pode vender a árvore (e torcer para que o comprador pague mais do que você pagou), ou pode colher laranjas todo ano. Bazin preferia as laranjas. Dividendo é isso: o fruto que a empresa produz e divide com seus sócios.
Na prática: a empresa lucra, decide distribuir parte desse lucro e deposita diretamente na sua conta na corretora. No Brasil, dividendos são isentos de imposto de renda para a pessoa física — o dinheiro chega limpo.
Dividend Yield: a régua de Bazin
O Dividend Yield (DY) é quanto a ação paga em dividendos em relação ao seu preço. Bazin usava 6% ao ano como referência mínima — abaixo disso, não comprava. Uma ação de R$ 20,00 que paga R$ 1,20 em dividendos tem DY de 6%.
Por quê 6%? Porque era o que rendia a poupança na época. Hoje você pode ajustar essa régua para comparar com o Tesouro Selic ou o CDI. A lógica é: se a ação não paga pelo menos o que o título seguro paga, o risco não vale a pena.
Consistência acima de tudo
Mais importante que o DY de hoje é a consistência histórica. Uma empresa que paga 3% há 10 anos seguidos é melhor que uma que pagou 12% uma vez e sumiu. Bazin buscava empresas que pagavam todo ano, sem falta — independente de crises.